Pedro Figueiredo termina Challenge da Escócia em terceiro

Duas semanas depois de ter sido elogiado pelo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pela sua vitória no KPMG Trophy, na Bélgica, Pedro Figueiredo voltou a lutar até este Domingo por um segundo título no Challenge Tour de 2018, terminando em 3.º no SSE Scottish Hydro Challenge.

 
O campeão nacional de 2013 totalizou 277 pancadas, 7 abaixo do Par, o seu segundo melhor resultado da época depois das 22 abaixo do triunfo belga. Embolsou ainda 17.500 euros, também o seu segundo melhor prémio da temporada, depois dos 28 mil arrecadados pelo seu primeiro título no Challenge Tour.
 
Como consequência, ascendeu do 13.º ao 6.º lugar na Corrida para Ras Al Khaimah, o que significa que está claramente a meter-se na luta pelo estatuto de n.º1 do Challenge Tour de 2018, algo que na história do golfe português só foi conseguido pelo seu amigo Ricardo Melo Gouveia, quando terminou 2015 no topo do ranking.

Foi o segundo top-3 de "Figgy" em três torneios e o seu terceiro top-10 nos últimos cinco que disputou na segunda divisão europeia, mas este com uma cotação um pouco superior por distribuir prémios monetários no valor de 250 mil euros.

O português de 27 anos foi 8.º no Open de Portugal @ Morgado Golf Resort, em maio, um evento de 200 mil euros; e há três semanas, no L'Empereur Golf & Country Club, conquistou o seu primeiro título do Challenge Tour num torneio de 180 mil euros.

«Sim, estou num bom momento, mesmo em Saint-Omer (França), na semana passada, senti-me a jogar bem, não me preocupei demasiado por não ter passado o cut nesse torneio. Talvez por ter sido o torneio que se seguiu à minha vitória. Poderá ter sido mais difícil concentrar-me no jogo. Quando tenho uma volta menos conseguida sei que faz parte e consigo recuperar bem dela por estar num bom momento», disse à Tee Times Golf.

O atleta do Sport Lisboa e Benfica era 2.º no final da primeira volta com 67 pancadas, 4 abaixo do Par do Macdonald Spey Valley Golf Club, em Aviemore, na Escócia. Foi uma volta inaugural isenta de bogeys, apesar de uma ventania considerável.

Quando a segunda volta chegou ao fim, mantinha-se em 2.º, após um cartão de 69 (-2), resultado que repetiu na terceira volta (apesar de algumas dores de estômago), para tomar conta da liderança, partilhada com o galês Stuart Manley, o rival que ele tinha batido no play-off na Bélgica e que logo na semana seguinte se tinha imposto no Hauts de France Golf Open.

Aí o tínhamos de novo na frente de um torneio, num campo típico das Highlands escocesas, que lhe agradou de sobremaneira, ele que, em 2014, tinha sido ali 61.º classificado.

«Sim passei o cut nesse ano mas não fiz nada de especial no fim de semana, mas é um campo de que gosto muito. Apear de não ser perto do mar, assemelha-se a um links, sobretudo porque esteve algum vento, mais no primeiro dia e o campo estava bastante duro. São características que me beneficiam, porque tenho um voo de bola relativamente baixo e em condições ventosas, com o campo duro e a bola a rolar, tiro bom partido desse meu voo de bola», explicou o português de Azeitão que, efetivamente, já no Morgado Golf Course, em maio, tinha usado em seu proveito o forte vento para chegar a andar no 3.º lugar.

Em declarações ao Gabinete de Imprensa do Challenge Tour, o profissional do Quinta do Peru Golf & Country Club especificou que sentiu-se «muito sólido, sobretudo nos primeiros nove buracos, onde há muitos greens com oportunidades de birdie. Já os últimos nove buracos foram mais complicados».

Em termos técnicos, sente que tem «apurado o jogo de ferros nestas últimas semanas e hoje em dia está a ser a parte mais importante» do seu jogo.

Esta análise espelha bem o que se passou na Escócia, porque viram-se realmente approaches espetaculares de "Figgy" ao longo dos quatro dias de prova, em alguns deles aproveitando bem a ondulação dos greens. Mas, por outro lado, na última volta deste Domingo, também se percebeu a sua preferência pelo início do traçado do Macdonald Spey Valley Golf Club, desenhado por Dave Thomas, inaugurado em 2006.

Ao longo de todo o torneio, o jogador da Navigator cumpriu o front nine em 8 pancadas abaixo do Par e o back nine em 1 acima do Par! E na última volta, assumiu a liderança após birdies nos buracos 2 e 9, bem como com um bom Par no buraco 7, mas os 2 bogeys consecutivos nos buracos 11 e 12 foram-lhe fatais. As 72 pancadas do português no último dia, 1 acima do Par, levaram-no ao 3.º posto final, sendo ainda superado pelo vice-campeão, o dinamarquês Joachim B. Hansen, que somou 275 (-9).

Quem se aproveitou daqueles bogeys de "Figgy" foi o escocês David Law, que saltou para a frente e consolidou a primeira vitória da sua carreira com birdies nos buracos 11, 13 e 16, para fechar com um agregado de 273 (-11), assegurar o prémio de 40 mil euros e ascender ao 10.º posto na Corrida para Ras Al Khaimah.

Pedro Figueiredo poderá ter cedido na ponta final, mas está a aprender com todas as suas experiências recentes.

Em Portugal percebeu-se que sentiu um pouco o peso de muitas expectativas no último dia, num ambiente de muitos fãs a seguirem-no. Na Bélgica ganhou, é certo, mas foi visível algum nervosismo a terminar a volta regulamentar, antes de recuperar a tranquilidade no play-off.

Desta feita, na terceira vez em que se viu a lutar por um título do Challenge Tour, assegura que a predisposição era bem mais positiva.

«Ganhei muita confiança com a minha vitória de há duas semanas na Bélgica. Foi uma semana muito importante para mim e estava lá muito mais tenso do que aqui na Escócia. Esta semana continuo em boa forma mas sinto-me muito mais descontraído» declarou ao Challenge Tour.

À Tee Times Golf acrescentou: «É verdade que já estou em alguns torneios a aproximar-me do topo do leaderboard e a lutar pela vitória. Antes do Morgado Golf Resort isso nunca me tinha acontecido em torneios do Challenge Tour. Confesso que sinto-me cada vez mais confortável nessa situação e hoje (Domingo), apesar de não ter tido um back nine famoso, fazendo +2 quando lutava pela vitória, até me senti relaxado e bem. Simplesmente foi um daqueles dias em que não estava a bater muito bem na bola, as coisas não me saíram muito bem e daí o resultado menos bom».

Se na Bélgica Pedro Figueiredo teve a companhia de Ricardo Santos e Tiago Cruz em alguns buracos, agora na Escócia beneficiou da ajuda de Tomás Silva, que se prontificou para funcionar como caddie depois de ter falhado o cut.

«Ele é um tipo impecável e um bom caddie», elogiou "Figgy". Tomás Silva, o n.º1 da Ordem de Mérito 1080 Produções da PGA de Portugal na época de 2017, terminou no 137.º lugar, com 153 (80+73), +11. Falharam também o cut João Carlota em 64.º com 145 (76+69), +3, e Ricardo Santos igualmente em 64.º com 145 (75+70), +3. Santos e Carlota foram eliminados por 1 única pancada.

Com a subida ao 6.º lugar na Corrida para Ras Al Khaimah, Pedro Figueiredo começa seguramente a ser visto pela concorrência como um sério candidato ao top-15 que no final da temporada sobe de divisão ao European Tour, mas o português ainda não sente qualquer diferença na forma como o encaram.

«Não sei se os outros jogadores olham agora para mim de maneira diferente, agora, eu continuo a ver-me da mesma forma. É certo que estou a jogar bem mas tenho muito para trabalhar. Claro que é gratificante estar a jogar bem e espero que os bons resultados continuem», concluiu.

Depois de três semanas seguidas, Pedro Figueiredo não se inscreveu no próximo torneio do Challenge Tour que começa já na próxima quinta-feira. Trata-se do Made in Denmark Challenge presented by Ejner Hessel, no Himmerland Golf & Spa Resort, em Farsø, na Dinamarca, com 180 mil euros em prémios. Os portugueses presentes serão João Carlota, Tiago Cruz e Miguel Gaspar.

Pedro Figueiredo, Ricardo Santos e Filipe Lima só têm previsto o seu regresso ao Challenge Tour no dia 5 de julho, no Prague Golf Challenge, na República Checa, com 185 mil euros em jogo.


Autores: Hugo Ribeiro/Tee Times Golf