No campeonato nacional de seniores José Dias somou o seu primeiro título, enquanto no de senhoras a britânica Kirsty Fisher é a campeã nacional, mas a 1ª foi a Belga Vicky Tomko. Hugo Santos nº1 da ordem de mérito tee times golf pelo segundo ano consecutivo
Hugo Santos sucedeu ao seu irmão Ricardo na lista de campeões nacionais de profissionais, no dia em que Gonçalo Pinto fez história ao ser o primeiro da classificação do Campeonato Nacional que a PGA de Portugal organizou em conjugação com a Federação Portuguesa de Golfe (FPG) no Quinta do Peru Golf & Country Club, Azeitão.
O bicampeão europeu de profissionais de clube, Hugo Santos, e o bicampeão nacional amador, Gonçalo Pinto, completaram a terceira e última volta em 70 pancadas, 2 abaixo do Par, pelo que Pinto venceu a prova com as mesmas 6 pancadas de vantagem com que tinha partido para os últimos 18 buracos: 207 (-9) para Pinto e 213 (-3) para Santos, os únicos a ficarem abaixo do Par no agregado de 54 buracos.
Gonçalo Pinto fez história ao tornar-se no primeiro jogador português a vencer no mesmo ano os dois campeonatos nacionais, o de amadores e o de profissionais e teve direito a levar o devido troféu para casa, que lhe foi entregue pelo presidente da Federação Portuguesa de Golfe, Manuel Agrellos.
«É muito especial para mim ter feito história. É para isto que trabalho, para as vitórias e saio com o objectivo concretizado. Estive sólido nos três dias, o putt esteve fantástico e isso fez toda a diferença num campo que me dá gosto, porque estava em excelentes condições e já tinha ganho aqui um Campeonato Nacional de sub-16 e também, em Fevereiro deste ano, um Open da PGA de Portugal», disse Gonçalo Pinto, que sentiu, apesar de tudo, que Hugo Santos tinha preocupações diferentes das suas.
«Esta vitória dá-me currículo e isso é muito importante, até por vencer os dois Nacionais no mesmo ano, mas o mais importante para mim este ano foi a vitória no Campeonato Nacional Amador, porque é a minha liga e eu tinha de revalidar o título, a pressão era outra. Hoje senti que houve alturas em que o Hugo se defendeu no jogo. Claro que ele queria vencer, mas via-se que estava sobretudo a bater-se com os outros profissionais e não atacou tanto para não comprometer», acrescentou o jovem de 19 anos.
O regulamento da PGA de Portugal dita que o estatuto de campeão nacional de profissionais só pode ir para um profissional, tal como o premio monetário. Por isso, Hugo Santos tinha como objectivo os 1300 euros para o melhor profissional, principalmente por se tratar de um jogador-treinador que não possui patrocínios para competir a tempo inteiro.
«Os amadores vêm para este torneio muito motivados, não têm nada a perder e isso permite-lhes extrair o seu melhor jogo. Os profissionais sabem que cada putt falhado custa-lhes dinheiro. É uma enorme diferença», explica José Correia, o presidente da PGA de Portugal.
É nesse contexto que Hugo Santos se sagrou campeão nacional de profissionais pela primeira vez, como ele diz, «sem um sabor amargo», depois de ter sido campeão nacional amador em 2003.
De certa forma, também ele conseguiu um feito histórico. Mas o profissional da PressPeople não escondeu a sua admiração pelo resultado de Gonçalo Pinto.
«O Gonçalo jogou bem, patou bem, mereceu a vitória e todo o mérito é dele. Mas o título em disputa é o de profissionais e temos de sublinhar o pormenor da pressão de ambos não ser propriamente a mesma», declarou Hugo Santos, de 32 anos, que, com os 1300 euros, garantiu o posto de nº1 da Ordem de Mérito Tee Times Golf pelo segundo ano seguido: «Foi uma época de balanço positivo, vencendo a Ordem de Mérito e dois torneios da PGA de Portugal. Só não fui à Final da Escola de Qualificação do European Tour mas dei o meu melhor».
TORNEIO FEMININO
Situação algo semelhante passou-se no Campeonato Nacional de Senhoras. A belga de origem eslovaca, Vicky Tomko, de 24 anos foi a melhor classificada, com 153 pancadas, 9 acima do Par, voltas de 78 e 75, mas a campeã nacional foi a britânica Kirsty Fisher com 156 (78+78), +12.
A melhor portuguesa foi Mónia Bernardo, campeã nacional de 2011 e 2007, desta feita terceira classificada, com 163 (83+80), +19.
Tomko, namorada de Nuno Henriques, o melhor madeirense, que foi 5º da classificação geral, pertence à PGA da Bélgica e não reside em Portugal. Já Fisher só é sócia da PGA de Portugal e reside no Algarve há nove anos.
Mesmo assim, houve uma diferença no regulamento da PGA de Portugal. Antigamente só portugueses podiam ser campeões nacionais de profissionais. Agora os estrangeiros podem desde que sejam membros da PGA de Portugal, residam em Portugal e estejam colectados nas Finanças portuguesas.
«Em 2007 ganhei o Campeonato Nacional PGA mas foi a Mónia Bernardo a sagrar-se campeã nacional, por isso, sabe-me bem esta vitória, mas também é verdade que, desde então passo muito mais tempo em Portugal do que na Grã-Bretanha», comentou a jogadora de 33 anos, que disputou apenas o seu segundo torneio do ano, embora em épocas anteriores tenha chegado a militar no Ladies European Tour, a primeira divisão europeia.
TORNEIO DE SENIORES
Também José Dias conquistou pela primeira vez um Campeonato Nacional, no seu caso, o de Seniores.
O profissional da Oceânico Golf foi 15º da classificação geral, com 232 (74+78+80) +16, batendo por 7 shots Elídio Costa.
«É bom ganhar um Campeonato Nacional PGA pela primeira vez mas eu aparento ser mais novo, ainda sinto vontade de competir, gosto de competir com os mais novos e o meu objectivo é sempre um top-10», disse José Dias, de 52 anos, que este ano integrou a selecção nacional de profissionais na Taça Manuel Agrellos e na próxima semana estará em Palmares a jogar de novo por Portugal no Europeu por Nações da PGA da Europa, ao lado de Hugo Santos e Nelson Cavalheiro.
BALANÇOS POSITIVOS
Apesar das complicadas condições meteorológicas, com muita chuva nos dois últimos dias e vento na jornada de hoje, o campo do Quinta do Peru Golf & Country Club aguentou-se bem, foi sobejamente elogiado por todos os jogadores e todos os dirigentes fizeram um balanço positivo da prova, não poupando louvores à equipa directiva e de manutenção da Quinta do Peru.
«Queria agradecer á PGA de Portugal e à Federação Portuguesa de Golfe terem trazido uma prova tão importante para o nosso campo. São sempre bem-vindos», frisou Pedro Mello Breyner, director de golfe e administrador da Quinta do Peru.
«Fomos recebidos de forma fantástica, o campo e os greens estiveram excelentes. Pela primeira vez a FPG juntou-se ao nosso campeonato e toda a sua equipa trouxe-nos mais qualidade e prestígio. Foi uma parceria de sucesso e com futuro. E a participação dos jogadores, com perto de 60, foi óptima, desde os profissionais aos amadores, passando pelos convidados estrangeiros», asseverou José Correia, presidente da PGA de Portugal e da Comissão de Campeonato.
«Temos Todo o interesse que este Campeonato Nacional seja o mais dignificado possível. Já conversei com o presidente da PGA de Portugal e para o ano vamos começar a preparar o torneio mais cedo e trazer os melhores jogadores de Portugal, amadores e profissionais. Será uma grande festa», prometeu Manuel Agrellos, presidente da Federação Portuguesa de Golfe.
O Campeonato Nacional termina amanhã (sábado) com a disputa do PT Negócios PGA Pro-Am, com 24 equipas, lideradas pelos melhores profissionais dos dias anteriores.